Tem muita gente que diz que entende da vida, do amor, de amizades... Mas será que é verdade? Me diz, quantas chances você já deixou escorrer pelo ralo por medo de tentar? Quantos amores você tornou proibido só para não ter o coração partido outra vez? Quantas vezes você vai precisar se negar?
Obviamente eu falo isso, mas também possuo meus receios, não gosto de amar, por exemplo. Não por que eu sou fria e insensível, mas por que quando se é muito intenso poucas pessoas, ou quase ninguém, entendem. É difícil tentar ser igual num mundo tão diferente, aonde as pessoas mudam os rostos com frequência. Promessas que nunca acontecem, desejos que ficam apenas na saliva, sonhos que permanecem de olhos fechados...
Acorda garota, quem não te ama não te merece! Mas isso não significa que você precisa fechar, e nem abrir as pernas, pro mundo a sua volta. Todo mundo um dia vai usar e ser usado, servir de tapete é uma escolha apenas sua. Presta atenção menina, que de menina não tem mais nada, existe um jardim cheio de flores esperando para serem vistas e ainda existem muitas lágrimas que você vai deixar cair, mas o medo de viver é a única coisa que você não pode deixar crescer.
Viva, viva o máximo que puder, se arrependa do que tenha feito e não do que podia ter vivido, de quase ninguém vive, por que quase não escreve história nenhuma. Então, viva garota, que a tua vida tá te esperando na esquina.
sábado, 31 de março de 2012
Boneca IV
Minha Boneca era minha e era a coisa mais rara que o mundo já viu. Boneca que grita, Boneca que instiga. Eu jamais conseguirei esquecer de suas manhas e de sua birra, minha Boneca era minha e só minha. Ela nunca me colocou algemas ou me prendeu, mas fazia questão de me torturar, chicoteando minhas costas, me ferindo por trás e eu como grande tolo e otário, a deixava me marcar.
Minha Boneca era minha e de mais ninguém, colocava suas pequenas sapatilhas e rodopiava em cima da minha corda bamba, eu não conseguia acompanha-la por diversas vezes deixei minha Boneca cair. Aqueles olhos falavam mais do que qualquer língua afiada, bastava demorar um segundo a mais para piscar e eu já sabia que uma correnteza de insultos e ultrajes iriam me banhar.
Sinto falta de suas pernas que tinham uma leveza tão grande que eu me sentia preso no ar que elas causavam, seus pés tortos pelo balé deixavam-na com ar de menina, embora já fosse uma moça. Eu ainda consigo ver seus dedos, todos eles erguidos para cima, prontos para me bater e escandalizar todos os meus medos. Boneca que julga, Boneca que massacra.
Eu adorava aqueles bracinhos finos, que vinham me apertar e me saudar todas as vezes que eu a via, eu me sentia amado pela minha Boneca sem cabeça. Minha Boneca possuía tantos mistérios, tantas revoltas, ela era uma tempestade e eu sua ressaca.
Eu aprendi a costurar com minha Boneca, selei todos os seus machucados, mesmo que alguns eu quem tenha feito. Nunca me esquecerei de suas saias esvoaçantes, dos cabelos desgrenhados, de suas unhas sempre pintadas de vermelho que cravavam em minha pele e me deixavam escravo de meu desejo. E eu seguia assim eterno tolo pela sua carne, minha Boneca já não existia mais, eu procurava em seus pés minha menina, mas havia esquecido que minha ninfeta já era uma mulher.
sexta-feira, 23 de março de 2012
Mil caras.
Eram olhos penetrantes, daqueles que te fazem parecer isca e o anzol alcança sua alma, era o tipo de olhar que te fazia pedir clemencia e ajoelhar pedindo perdão pelos pecados. Eu queria aqueles olhos, eu precisava tanto deles quando daquela sensação, o ar empoeirado, o calor sufocante, as migalhas deixadas para trás.
Eu sigo teus passos como uma serva cega e tola, eu vejo as marcas e reparo nas tuas mãos elas me conduzem, me seguram pelo braço, me pressionam na boca. E eu finalmente encontro teus olhos sérios e inquietantes a única coisa que nos separa é um fio de ar, um daqueles ares que pode ser vento ou furacão, que passa carrega o que encontrar na frente e deixa os mais fracos desamparados. Eu precisava do furacão, de um turbilhão de palavras e gestos que me fizessem sentir de novo, sentir as outras faces, os outros sorrisos, os outros toques. Eu vejo todas as luzes e elas parecem me engolir como se eu fizesse parte de um desses filmes que nós não entendemos o final. E eu tragava a fumaça e a fumaça me tragava, eramos um só: O vicio e eu, eu e o vicio. E eu sentia tua mão na minha nuca me impulsionando para perto.
E a escuridão toma conta de mim de novo, o ar sujo, o salão lotado, os pés descalços, a lama me cobrindo, a música crescente nos meus ouvidos. Acordo e desligo o despertador, mais uma vez eu fui pega confundindo o meu imaginário com a minha realidade pacata e solitária.
quarta-feira, 14 de março de 2012
O grito.
Não importa mais as cores das flores, muito menos a forma de um feto, fechei meus olhos e calei a minha boca, eu me encontro em meu grito inexistente. Torna-se indiferente se os dias passam ou se os meses ficam, meu relógio quebrou e parede divisória foi destruída. Se a artéria foi obstruída ou o coração jorrou sangue demais, tanto faz, os dedos fechados e as mãos vazias são sinais do meu grito contido, tão rouco que não pode ser ouvido.
Os passos invisíveis apenas podem ser sentidos por outros tantos passos ausentes que só se tornam presentes pela falta sentida. Talvez a miragem seja isso, um desenho mal feito de uma caminhada sem fim para o silêncio que existe em mim. Eu vejo com meus olhos tão distantes línguas perfuradas pela falta de desejo e pernas sempre cruzadas por medo de ligações inesperadas. Eu vejo tudo, eu não vejo nada.
Pois já não sei o que é bom ou ruim, se faz bem ou se faz mal, se me faz viver ou é meu veneno mortal. Pois já não sei por onde seguir com tantos atalhos e becos escuros fica difícil de decidir. Eu já me calei, comi minhas palavras fazendo uma bíblia só minha, do meu veneno não beberás nunca mais. Eu já não sei o que é pior: esperar em silêncio o meu grito, ou ver meu grito morrer em silêncio.
sábado, 10 de março de 2012
Céu e terra.
Eu marco no calendário os anos que se passaram sem você, marco na parede o tempo que já se fora como um prisioneiro em seu desespero por liberdade. Já que você preferiu ir e me abandonar aqui como um cachorro a espera de seu dono, sempre ansioso por um afago, sempre esperançoso por uma visita, eu resolvi, depois de muito relutar, aceitar a proposta que você fez consigo mesmo e com o mundo. Aceitei sua discórdia e seu medo pela vida, aceitei seus segredos e seus desprezo imensurável, aceitei até mesmo as poucas lembranças vendidas que eu possuo.
Eu sei você já não pode me ouvir há muito tempo, e que há um tempo muito maior já não vivia e andava morto por onde passava. Pois veja bem, meu bem, se foi assim que decidiu que os olhos tristonhos iam se fechar e que o sorriso amarelado ia emudecer, eu aceito a condição. Teus passos já eram receosos demais e as certezas já duvidosas o suficiente para te fazer regressar a um estado monótono, quase débil.
Da mesma forma que você não levou nada do plano físico e material, eu tão pouco irei levar. Nada que eu possa comprar ou fazer irá mudar tuas atitudes passadas, atitudes baratas e arrependidas. Veja agora meu amor, quase uma década já se passou e eu ainda estou aqui te lembrando as memorias, não seria isso uma prova de amor maior?
Eu já não sei se no que eu creio é certo ou errado, e nem se um dia terei certeza de algo. Assim como o céu e a terra não se tocam, eu tenho a certeza que nesta vida não te encontro mais e dessa forma eu peço uma união de espíritos, quase um desejo profundo da alma para que um dia nossos destinos voltem a se cruzar e eu possa novamente ter tua mão envolta da minha.
sábado, 3 de março de 2012
Carta.
Acordei hoje pensando em quanto tempo se passou, se foram meros anos ou décadas seculares... Como as coisas mudaram, meu caminho já não é mais o mesmo e minha caminhada acelerou. Já fechei alguns capítulos desse grande livro que alguns chamam de vida, alguns personagens morreram e outros foram embora mesmo querendo ficar. Veja como entraram novas pessoas para me ajudar a preencher essas linhas, não conseguirem esquecer ninguém.
Eu olho para o meu passado, que saudades do meu ensino médio, que saudades da inocência do meu primeiro amor, que saudade de quem eu era. Olho as fotos e vejo muitos sorrisos, muitos olhos esperançosos, muito futuro guardado e agora que o meu futuro se tornou presente me vejo imersa em um mar de incertas. Não sei se vou conseguir realizar todos os meus desejos ou se um dia irei viver meus sonhos, mas a cada vez que recordo meu passado eu vejo os sinais e então eu entendo é a vida me mandando seguir em frente.
Eu olho para o meu passado, que saudades do meu ensino médio, que saudades da inocência do meu primeiro amor, que saudade de quem eu era. Olho as fotos e vejo muitos sorrisos, muitos olhos esperançosos, muito futuro guardado e agora que o meu futuro se tornou presente me vejo imersa em um mar de incertas. Não sei se vou conseguir realizar todos os meus desejos ou se um dia irei viver meus sonhos, mas a cada vez que recordo meu passado eu vejo os sinais e então eu entendo é a vida me mandando seguir em frente.
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