A vida é frágil, como um copo cheio de água que com apenas mais uma gota , transborda. Pesado demais para carregar, cheio demais para não entornar. Sem sabor, sem cheiro, sem graça, a água contida vaza. Vaza até o copo ficar vazio... Vazio de água, vazio de ar.
A vida é mesmo bela na sua fragilidade. A transparencia permite ver tudo... distorcido. Como uma janela, nada se ouve, nada se fala, apenas se vê. Do lado de dentro o tempo passa, do lado de fora ninguém repara. Janelas possuem grades, fortes e de ferro, pintadas de verdes para não espantar. As janelas com suas grades são para evitar acidente, a vida é mesmo uma prisão.
A vida é mesmo cruel. Como um brinquedo ela faz de seus protagonistas de coadjuvantes, somos suas marionetes nesse jogo da vida. Passamos a nossa existência inteira brincando de viver, brincando de amar, brincando de ser. A vida é mesmo uma mentira.
A vida é mesmo preciosa. Como um galho caído da árvore, ela tem beleza, ela é natural, ela é suja. Como as frutas do topo da safra, ela tem o seu sabor, ela tem o valor. Como os incêndios na mata, ela tem o seu inicio, ela tem a sua dor. A vida consegue ser desesperante como o choro do seu primeiro filho, ou a certeza da morte no parto. A vida é mesmo romântica, com os seus pores-do-sol, com os seus nasceres do sol, assim como todas as lágrimas derramadas e toda a lama espalhada, ela tem seu esplendor. A vida é mesmo frágil.

Cuidado frágil! de Hannah Tobelém é licenciado sob uma Licença Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivs.
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