domingo, 18 de julho de 2010

Cuidado, frágil!

A vida pode não parecer, mas é frágil. Como um copo de vidro que se quebra ao encostar no chão, restam apenas pedaços espalhados por todo um espaço e tudo que resta são as lembranças que com o tempo serão esquecidas. Sem cor, sem brilho, sem valor, o seu copo antes de quebrar, se rachou, tão fino e tão profundo que não se percebeu o estrago. Agora é tarde, os cacos já foram jogados fora, estão dentro de um saco de lixo prontos para serem esquecidos.
A vida é frágil, como um copo cheio de água que com apenas mais uma gota , transborda. Pesado demais para carregar, cheio demais para não entornar. Sem sabor, sem cheiro, sem graça, a água contida vaza. Vaza até o copo ficar vazio... Vazio de água, vazio de ar.
A vida é mesmo bela na sua fragilidade. A transparencia permite ver tudo... distorcido. Como uma janela, nada se ouve, nada se fala, apenas se vê. Do lado de dentro o tempo passa, do lado de fora ninguém repara. Janelas possuem grades, fortes e de ferro, pintadas de verdes para não espantar. As janelas com suas grades são para evitar acidente, a vida é mesmo uma prisão.
A vida é mesmo cruel. Como um brinquedo ela faz de seus protagonistas de coadjuvantes, somos suas marionetes nesse jogo da vida. Passamos a nossa existência inteira brincando de viver, brincando de amar, brincando de ser. A vida é mesmo uma mentira.
A vida é mesmo preciosa. Como um galho caído da árvore, ela tem beleza, ela é natural, ela é suja. Como as frutas do topo da safra, ela tem o seu sabor, ela tem o valor. Como os incêndios na mata, ela tem o seu inicio, ela tem a sua dor. A vida consegue ser desesperante como o choro do seu primeiro filho, ou a certeza da morte no parto. A vida é mesmo romântica, com os seus pores-do-sol, com os seus nasceres do sol, assim como todas as lágrimas derramadas e toda a lama espalhada, ela tem seu esplendor. A vida é mesmo frágil.

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sábado, 17 de julho de 2010

Água santa.

Deixa a chuva cair
Cair e levar
Essa sua dor, essa sua tristeza.
Deixe a chuva cair
cair e lavar
Esse seu penar, esse seu contar
Esse seu negar.

Essa dor no peito
Essa pressão sem escalas
Vai subindo os degraus da impaciencia
Tenha dó!
Pra que a decência?
Se a sua consciência
Não te deixa respirar.

Deixa chuva cair,
Cair e banhar
O seu corpo cansado
O seu rosto amargurado
Deixa a chuva cair,
Cair e banhar
Esse peito estufado
Esse orgulho furado
Quem nem você acredita.

Deixa a água cair
Água pura e santa
Deixa que ela sana
Toda essa sua dor de amar.


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domingo, 11 de julho de 2010

Derrota.

Pra que disfarçar?
A angustia do olhar
A indecisão
Só te faz querer ficar
E como pode alguém caminhar?
Sem ter direção.

Como é dificil
Tentar dissimular
Tanto rancor reprimido
Não dá pra esconder
Esse choro contido
Esse orgulho ferido
Não dá pra esconder
A angustia do olhar
O falso falar
Me diz verdade
Que eu não quero saber.

Pra que tentar?
Se tudo que eu tento
Só faz piorar
Essa dor no meu peito
Essa razão sem efeito

Só faz aumentar
Esse amor com defeito
Esse grito suspeito.

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sexta-feira, 9 de julho de 2010

Reflexo.

A vida que eu escolhi
É tão fácil seguir
Caminhando por pés
que não são meus
são seus?
E tendo ideias tão
tão normais, tanto quanto banais.

Assustada, acordei.
Lavei meu rosto e me sequei.
A imagem no espelho
refletia o que eu não queria ver
Eram marcas, cicatrizes
de batalhas que eu nunca vivi
Eram olhos e olhares de uma dor.
Ela falava?

Caminhei exausta
durante muito muito tempo
Para perceber
Que o tempo todo
Eu só queria me conhecer.

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Em mim.

Estou cansada de viver fantasias
só minhas
Trancada no meu imaginário
Eu não paro de pensar como seria
Viver as promessas da vida.

Se tudo fosse diferente
Se o impossível acontecesse
Se as ideias ganhassem vida
Como seria com a gente?

Agora estamos juntos, estamos bem.
O tempo para, eu acho graça.
O meu ponto de vista
Mostra uma realidade pessimista.
E se fosse para acontecer
Nós dois no amanhecer
De uma noite estrelada
Entrelaçada no mar de euforia

O tempo pode esperar
ele vai.
O presente repete o passado que remete ao futuro
Futuro pelo qual eu espero
Ver você a minha porta
Me querendo como eu quero

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segunda-feira, 5 de julho de 2010

Atalhos;

Não pense que tudo está perdido
procure sempre um amigo para te consolar
Resgate aquele fino fio
E não deixe de sonhar.
Se pensas que a solidão irá te abraçar
olhe para o céu e veja um mundo a te esperar
São estrelas, sois e luas
são pessoas extremamente nuas.

Se os caminhos fáceis você quer seguir
Saiba que com ele muitas pessoas vão deixar de vir.
As árvores que tampam o sol e fazem a sombra
são as mesmas que trazem conforto e brisa.
Não se traia por qualquer promessa
Em algum lugar tem um certo alguém.
Não se esqueça.

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sábado, 3 de julho de 2010

Fosco,

Ontem a noite eu percebi uma figura solitária
Ela estava sentada na varanda de casa
Com um violão debaixo do braço, tentando compor.
Eram lágrimas, sorrisos e arranhões.
Eram lembranças, histórias, cutucões.
Era o seu passado numa folha de papel.
Ela amargurada olhava pro céu
contava as estrelas para esquecer.
Naquelas cordas seus dedos teciam uma melodia
Seus pelos arrepiavam com o vento frio
Eram uma da manhã e ela estava sem seu cobertor.
Ela queria show, multidão, gritaria.
Calmaria, para ter uma rima.

Agora ela está no chão.
Sem óculos, sem voz, sem um tostão.
Ela queria achar o amor da sua vida
Mas antes queria ter muitas feridas.
Ser uma destruidora de coração.
Agora ela está no chão.
Sofrendo tudo o que fez sofrer.
Ela só queria esquecer,
pegar a agulha e dormir para sempre.
Ela queria ter coragem,
é preciso bagagem pra completar essa viagem.

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