quarta-feira, 18 de maio de 2011

Uma casa muito engraçada.


A casa velha e abandonada fazia eco em meus ouvidos, cada vez que escutava falar de suas paredes mal pintadas e de seu piso solto sentia que uma faca atravessava meu peito. Nunca esqueci daquela casa e nem da escada que vivia nela,tão antiga e empoeirada com seus degraus defeituosos e traiçoeiros. Nos dias de hoje quando me pego embaçada e triste lembro sempre da escada frágil que unia os andares, marcada por altos e baixos dos degraus e alguns buracos pelo tempo, a escada sempre permanecia de pé. Como eu sinto falta da minha escada.
Ainda consigo ver a paisagem da janela, sempre interrompida por uma cortina de água, lágrimas que teimavam em cair de meus olhos. Como eu sinto falta do meu jardim mal cuidado. Mesmo antiga a moradia era forte, como madeira e pedra fez de barrancos sua fortaleza. Como eu sinto falta do meu abrigo.
O telhado já sem telha deixava a chuva banhar e lavar a sujeira que existia nela, inundando seus quadros e moveis, afogando seus moradores. Era uma casa velha sem tintura e bastante turva, uma velha casa de olhos e lembranças. Lembranças que não me esquecem. Como eu sinto falta daquela casa...

sábado, 14 de maio de 2011

Sozinho

De tanto procurar amores em pernas avulsas
Descobri o tesouro escondido ao meu lado
Entre conversas altas e confusas
Avistei suas terras profundas
Desvendando o melhor e pior do mundo
Bem daqui, protegida no meu partido alto.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Tereza

Uma música de cabaré tocava ao fundo, Vicente nunca soubera qual era a língua cantada, sempre ficava hipnotizado pelo corpo de sua amada Tereza. Em cima da cama bagunçada, provas da noite passada, a doce ninfeta fumava seu cigarro, o cheiro forte de fumaça e vicio invadia o quarto como uma virgem na sua primeira noite de amor. Trinta anos de diferença, aos quarenta e cinco o grande pintor Vicente se apaixonara perdidamente por uma menininha. A grande distancia entre as idades assustava qualquer um, menos a diabólica Tereza. Digo diabólica por que só o diabo pode condenar o coração de um homem como aquela adolescente sem pudor e cheia de fantasia fez. Seu sorriso cheio de dentes e seus olhos cheios de segredos encantavam qualquer passante.
A malícia na ponta dos dedos e o enrolar dos cabelos diziam claramente o que ela pretendia, prende-lo. Se sua boca sorria, seus olhos falavam "Quanta ousadia". Era rotina se recolher toda noite no quarto da probrezinha, sempre desnuda e pronta para ele, o grande artista memorizava e imortalizada a imagem daquela pequena, "minhas armas de trabalho imortalizam o seu tempo" era apenas o que ele falava.
Que relação estranha que os dois tinham, parecia cena de filme mudo, aonde só os olhares e dentes conversavam, conversas que duravam horas até o dia amanhecer. Todas as noites antes de voltar para a casa o rapaz a escutava dizer "Hora de acordar" e todos os dias abria os olhos e voltava pra realidade do lar.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Q de solidão

Hoje estou em pedaços
Tanta mágoa e vergonha
Destino do teu caminho mal traçado
Por passos falsos
Dentro dos seus sonhos aprisionados

Os pulsos erguidos em sinal de redenção
A voz grita o silêncio de mais um sufocado
Vejo na cena pouco carater e muita solidão
Por alguém que passeou na vida e se deixou de lado

E aos olhos abrir, viu o rebanho correr
Era uma manada enfurecida
Correndo de encontro a vida
Vida que te escorreu

Foi se encontrar no bar com suas armas
De pele e alma com muita calma
Bebeu para esquecer que viveu...
Para esquecer de viver...
Mas esqueceu de se esquecer...

Porém, um belo dia ele lembrou que morreu

terça-feira, 26 de abril de 2011

Duplo

Adiantou vestir uma mascara fria
Só para a voz vazia falar
Você mente até todos ficarem sem respostas

Você pode ir mais rápido, isso te fará mais vivo?

então respire fundo, prenda o sopro
Estamos todos sufocando
Todos nós vemos a chama da íris
Te corroendo por dentro
Mas você não pode fazer nada por hoje

Tantas mentiras te vestiram
Te pesaram o ar e te quebraram
Eu vou gritar até irritar os seus ouvidos
E caluniar até seus pensamentos
Estamos tão doentes.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Ciclo da vida.

É o ciclo da vida abrindo novos caminhos
Escuros e vazios na forma de coração
Coração que teima em pulsar
Por novas vistas, por um novo ar.

A paixão pelo desconhecido
Cruzada com um desejo de amar
Que canta aos meus ouvidos
"Corra para o teu lar"

Quero o que meu amor antigo
Para os choros contidos poder descansar
O meu peito oprimido eu levo contigo
Lágrimas e sorrisos para poder relembrar

Será que ainda lembra?
Das juras de eternidade e dos poemas feitos
Dos caminhos traçados e depois desfeitos
Como giz em poça d'agua

Agua que banha, que marca
Que me massacra
Como nossos sonhos sonhados
Que como a água, vira mágoa.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Aviso

- Fracassado, adiantou fechar os olhos para sua vida? Adiantou alimentar tantos sonhos e agora chorar no travesseiro? Não me olhe com essa cara, sabe muito bem que um dia eu iria chegar. Eu sei que não sou bela, nem doce, mas o que eu posso fazer?! Você me quis assim, você foi me mudando com o passar da sua vida, me colocando sempre no canto me escondendo e se escondendo. Adiantou se esconder de mim? Responde!
- Por que, por que você tinha que chegar? As coisas não podiam ser como sempre? Eu era tão feliz antes de você aparecer e acabar com quem eu era! Atrevida, você me prometeu que tudo seria melhor, que eu ia ter meus desejos realizados e agora isso? Tudo que eu vejo são sombras e borrões, uma pintura turva e borrada do que um dia eu fui. Livre-me disso, livre-me desse mal, você me colocou aqui! Te desejei durante todo tempo e agora não sei quem é você, diz! Quem é você?
- Eu sou tudo o que você prometeu e não realizou, eu sou o fruto de todas as suas sementes impuras. Eu sou sua solidão e seu medo, eu sou todos os amores que choraram por você, sou todas as suas risadas, sou todas as suas charadas. E agora, adiantou? Adiantou tanto rancor, tanto ódio, tanta roubalheira? Não adiantou. Eu sou o que você fez, eu sou a personficação da sua maldade. Eu sou seu futuro, Juan.

E com essa conversa na cabeça Juan acorda de mais um sonho violento, olha para o lado e percebe que sua mulher dorme tranquilamente. O que será que foi aquilo, um aviso do seu futuro ou o próprio diabo dando sua sentença?