Todos nós evoluímos, perdemos a maioria de nossos pelos, alguns já não tem siso e o mais importante: aprendemos a pensar. Construímos prédios, criamos raízes, louvamos um Deus e nos matamos.
Levantamos impérios e destruímos o natural, nossa comida que é tão farta e rica, nos mata lentamente com seus pesticidas e melhoramentos. O homem brinca de Deus e sinto que Deus brinca de ser homem. Nosso ar cada vez mais poluído, nossos rios são negros e nossas florestas vazias, será mesmo que aprendemos a pensar, ou apenas a matar?
Tantos anos de evolução, tantos sacrifícios, olhem nossas máquinas! Rádios, televisões, internet, temos o mundo em nossas mãos e mal sabemos usá-lo. Aproximamos os mais afastados e isolamos os mais próximos, qual é a nossa lógica? Avançamos a passos largos em tecnologia, mas nossos corações endureceram e nossas almas se tornaram nulas. Quantas pessoas nós vemos pregando a palavra de Jesus, quantas delas amam o próximo como a si mesmo? Fomos invadidos pela hipocrisia, mentiras, ciúmes e ganancias. Somos homens e lobos, corremos atrás do nosso próprio rabo. Batemos nosso cajado no chão, mas desviamos os olhos de nossas atitudes, coloque na mão de Deus, esqueça suas atitudes.
Falamos mais do que fazemos, destruímos mais do que qualquer coisa. O ódio, a cobiça e a ganância nos dominaram, entrando em nosso DNA e passando essa maldição para nossos filhos. Falhamos muito, mas poucos tentam reparar isso, nos tornamos cegos que tateiam navalhas, nos cortamos e não sentimos, somos uma morfina ambulante. Somos todos reis e rainhas de fantasias, somos a mente que sonha, a mão que derruba, a árvore da vida. Somos tudo e não somos nada, somos na verdade completas máquinas.
segunda-feira, 30 de julho de 2012
quarta-feira, 25 de julho de 2012
Conto do Vigário.
Era uma espécie de furacão de sentimentos, um misto sinistro de mentira e ganância, percebo aos poucos que me tornei adulta. Não digo isso pelas contas a pagar, a fila a esperar, ou as responsabilidades, digo isso por que só quando crescemos é que descobrimos do que o ser humano é capaz de fazer: Enganar. Amamos coisas e usamos pessoas, escolhemos nossas roupas, gastamos nosso tempo e juntamos dinheiro, para que no final das contas todos terminem da mesma maneira, mortos.
A verdade é que a mesma mão que te abençoa é a que te derruba, e a vida vai te oferecer as mesmas coisas que você oferece a ela. Seja um ilusionista e viverá conforme suas idéias, uma vida iludida que mais cedo ou mais tarde vai te tombar e podar seus ramos negros e amaldiçoados.
Não adianta fingirmos ser o que não somos, é como aquela velha história do vidro que se passa pelo diamante: Pode imitar a beleza, mas jamais terá o valor e a rigidez que ele possuí, se cair quebra e não existe mais. É exatamente assim que algumas pessoas são, comuns pensando que são raras e caras. O seu valor não está nas suas palavras, nem no seu trabalho, está em você, por que você é aquilo que você faz.
Plantamos o que colhemos e o seu fruto é amargo e seco, assim como seu caráter. Foram tantos jogos, quantos você já massacrou? E dessas batalhas, quanto de você te restou? Se foi pouco ou nada mais, eu já não sei, mas sinto pena e nojo do Vigário que eu encontrei.
quarta-feira, 18 de julho de 2012
Eu tentei. Tentei de todas as formas mostrar que sou outra pessoa, com outros pensamentos e sorrisos. Tentei me reescrever e consegui. Me tornei personagens e me encontrei neles: Mocinhas, vilãs, desprotegidas, perigosas. Eu tentei, tentei te avisar dos perigos que eu trazia comigo e do silêncio que acompanha minhas vírgulas. Eu tentei te avisar de tudo, porém esqueci da minha inconstância e do meu orgulho, meu bem. E eu te avisei tanto, querido, que suas palavras não te salvariam do grande purgatório que é meu coração.
sexta-feira, 13 de julho de 2012
Contratempo.
Quando o seu tempo for o meu, querido.
E o meu relógio entrar em você
Então nossos ponteiros irão se encontrar
E quem sabe os primeiros cinco segundos de surpresa
Voltem para o seu rosto.
Não quero meus olhos perdidos na noite cinzenta
Nem meu corpo nu sozinho em uma cama quente
Abraços e afetos são distribuídos enquanto nos vemos.
Depois restos, nada mais.
O resto do seu dia e de suas horas livres
O resto das pernas e braços caídos pelo caminho
O inicio de dentes se escondendo e as ameaças vivendo
O fim do que veio carregado pelo vento.
É o inicio, o meio e o fim do tempo
O tempo dos olhos apaixonados e das mãos grudadas
O tempo da cama fria à sua espera
O tempo agoniando de ter que esperar algo que nunca vai aparecer.
E o meu relógio entrar em você
Então nossos ponteiros irão se encontrar
E quem sabe os primeiros cinco segundos de surpresa
Voltem para o seu rosto.
Não quero meus olhos perdidos na noite cinzenta
Nem meu corpo nu sozinho em uma cama quente
Abraços e afetos são distribuídos enquanto nos vemos.
Depois restos, nada mais.
O resto do seu dia e de suas horas livres
O resto das pernas e braços caídos pelo caminho
O inicio de dentes se escondendo e as ameaças vivendo
O fim do que veio carregado pelo vento.
É o inicio, o meio e o fim do tempo
O tempo dos olhos apaixonados e das mãos grudadas
O tempo da cama fria à sua espera
O tempo agoniando de ter que esperar algo que nunca vai aparecer.
quinta-feira, 14 de junho de 2012
Cidade
Hoje eu resolvi ser rebelde, e atravessei sem olhar para os lados. Hoje acordei revoltada e fui incapaz de dar bom-dia para o motorista do ônibus, ou ajudar com as sacolas da minha vizinha idosa. Abri os olhos já de saco cheio da vida e de toda a minha educação exagerada que ninguém percebia, eu sorria por que sempre imaginava a outra pessoa sendo estrangulada.
Cansei dos meus passos falsos e incertos, joguei com força e intolerância o meu cigarro no chão, dane-se que irá sujar a cidade ou não, os prédios cinzas já acabaram com sua imagem. Fui pro trabalho querendo esganar meu chefe, todos os dias, no mesmo horário eu pontual, menos o meu salário. Cansei se escutar as buzinas apressadas, as pessoas caladas, cansei do som barulhento que as pessoas tristes fazem com seu silêncio.
Fui caminhando rápido pra casa, a velocidade fazia com que eu esquecesse um pouco o rumor ao me redor, vejo a avenida de relance: O mendigo, o taxi parado e puta sem cliente, quanto clichê para uma cidade tão grande e medíocre. Hoje eu não resolvi ser rebelde, resolvi mesmo ser covarde e me esconder dos meus princípios, resolvi deixar a maquiagem borrada e o cabelo desgrenhado. Resolvi ser como todas as outras pessoas omissas que eu vejo e não conseguem se reconhecem no espelho, por que ao longo dos anos seja a maquiagem visível ou não ela borra e te desmancha junto.
quarta-feira, 6 de junho de 2012
Borboletas
Procurei por sinais em todos os cantos do mundo, em esquinas sujas, em becos escuros e até no circo da cidade, porém nada achei. Amores em pernas cruzadas, inimigos de braços abertos, sorrisos escancaradamente falsos e a desconfiança sempre presente, foi tudo que eu consegui encontrar em meu castelo de pedras. Eu abri a janela para o vento refrescar e deixar que a luz da lua transparecesse minhas dúvidas, eis que sem esperar me aparece um ser mais leve que uma pluma. Sem perceber já estava em meu quarto, não pediu licença e muito menos permissão para ficar, me rodeou e pousou calmamente no calor da lâmpada, será que finalmente minhas borboletas estão voltando?
Contemplei com atenção seus leves movimentos, a graciosidade de sua beleza. Capturei hoje minha primeira borboleta e a soltei, não se pode prender quem nasceu para ser livre. Eu a carreguei até a janela, ultrapassei as grades e ali fiquei esperando ela alcançar voo. Esperei em vão, estagnada ela ficou e me contemplou de volta, como se soubesse do que eu precisava, ela preferiu ficar, para que servem as asas senão para voar?
terça-feira, 1 de maio de 2012
Tire-me as algemas.
Eu não gosto de ser escrava presa a correntes e a troncos que as pessoas me obrigam a usar. Eu não gosto de ser controlada como se eu fosse um personagem de um jogo ou a donzela de um filme. Eu detesto ser presa as mesmas ideias, aos mesmos olhos e sorrisos. Eu preciso me reinventar e reinventar o que está ao meu redor.
Já perceberam a necessidade de controle que as pessoas tem? Hoje em dia é mais fácil você achar alguém que queira controlar a sua vida do que acompanhar. Esquecemos o por que de estarmos presentes na vida um do outro, amigas que sufocam, namoros que são tratores, pais que são leis. Sejam leves e livres, sem algemas ideológicas, sem mãos apertando pulsos, não sufoquem seus semelhantes.
Eu detesto essa sensação de prisão que as pessoas impõem, qual o real motivo de você prender alguém? A resposta é simples: Insegurança. Ninguém teme o que está preso a si, cria-se medo pelo que não existe, pela dúvida, pelo escuro que a liberdade gera. Seja o seu próprio breu, passe por lugares que você nunca pensou em passar e de voltas no seu subconsciente, é perdendo que a gente se acha.
Desprenda-se dessas correntes imaginárias que as pessoas te colocam, o amor nasceu para ser livre e não controlado. Não tem como a gente controlar a paixão, o medo, o ciúme, muito menos a infidelidade. Doe oxigênio e seja feliz! Não existe nada mais triste do que uma pessoa roxa por asfixia de controle. Desamarre essas cordas em seu pescoço, seja livre mesmo que todos te digam o contrário, é muito fácil ser feliz no claro. Seja feliz com os olhos vendados confiando em quem te guia e não em quem quer te guiar, por que a vida é assim mesmo, as vezes o barco navega, as vezes ele afunda.
Assinar:
Postagens (Atom)