sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Inocente amor.








 Os seus olhos guardei em um pote
E o seu corpo inteiro está em meu coração
Suas lembranças estão no meu caixote
E eu digo, suas orelhas nunca escutaram o meu Não.

Se te tenho comigo, te levo aonde eu for
Transgredindo dimensões, formando o laço eterno
Que me amarra e me ata ao teu inocente amor
Falando comigo no seu silêncio interno.

Tua vida habita em mim, minha fera felina
E não encontro em canto algum a tua malícia
Eu libero em ti a minha ocitocina
Tentando reviver a tua carícia.

Não tenho medo da morte, mas sim da inexistência
Que perpetua nos seres vivos e carnais
Vejo no seu olhar sua eterna essência
E a promessa de voltar a repousar no meu cais.




quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Antes que tudo termine.





Vocês devem entender antes de começar a ler este texto, que o início é apenas o fim e a vida na verdade é apenas um piscar de olhos....


.... Nunca pensei em morrer desse jeito, com sangue escorrendo, os olhos abertos e uma multidão á minha frente. Nunca pensei que uma bala atravessaria minha cabeça, um tiro que nem era pra mim.
   Acordei as cinco da manhã de uma quinta-feira fria e nebulosa, eu não sei se levantei com o pé esquerdo ou era a passagem de Vênus pela Terra que me deixou daquele jeito. De uma maneira sútil e desconcertante eu deixei o porta-retratos cair no chão e percebi que aquela foto já não tinha mais importância. "O que diabos aconteceu comigo?" foi a primeira coisa que eu pensei quando me olhei no espelho, os cabelos desgrenhados, o rímel borrado e indícios de que um furacão tinha passado por mim. Eu já não aguentava aquela realidade, eram cartazes de sorrisos, comerciais de pessoas felizes, novelas e mais novelas sobre histórias de amor que nunca existiram. Será que eu existi? Será que nós existimos?
 Eu  me arrumo para meu trabalho, saio de casa e vejo meu gato me olhando pela janela, malditos olhos amarelos que me invadem e me deixam tão perdida em seu pelo preto, eu queria poder entrar em seus pensamentos e descobrir de onde vem tanta calma, tanta ousadia. Eu amava aquele olhar, por que de alguma maneira me lembrava tanto você: Do seu mau humor habitual, dos seus inúmeros corações que eu podia amar, das suas meias pelo chão. Não adianta chorar pelo que passou, nem pelo tornado que se instalou no meu peito, você é passado e eu o seu defeito.
 "Chega" grito silenciosamente para mim mesma, "nada mais irá me lembrar você, nada mais irá me lembrar da minha vida vazia, do meu trabalho escravo, das minhas roupas chinesas, dessas arvores caídas e tristes, desses pássaros engaiolados. Do que me adianta ser livre se continuo presa em liberdade? Se a minha prisão são apenas minha idéias e lembranças de uma realidade que nunca existiu..." Eu nunca completei o raciocínio, eu nunca desejei morrer, apenas silenciar um presente que batia em minha cara, eu nunca desejei aquela bala em minha cabeça. Mas vocês devem entender antes determinar de ler este texto, que o início é apenas o fim e a vida na verdade é apenas um piscar de olhos e os meus cílios foram virados para você.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Nossos umbigos tão egoístas.



Eu queria plantar nos nossos umbigos uma cria de felicidade e simplicidade, eu iria regar com suas gotas essa minha muda tão calada. Eu iria prende-la com sua terra e usar seu olhar como adubo, por que não há nada mais divino do que a prisão dos seus olhos. Ela iria crescer verde e fazer dos nossos umbigos seu prato de flores e porto-seguro, mas nossos umbigos são tão egoístas, nós não permitimos que nada cresça neles e deixamos o natural no canteiro da rua. É assim que nossa muda tão calada cresce, sempre aos olhos de outros, nunca na nossa frente. Uma vez eu fui na esquina aonde a deixamos e ela já estava grande, colhi alguns frutos, uns eram doces, outros amargos, era a mistura de nossos sabores.
 Depois de ter visto a natureza fazer seu papel fora de mim, eu percebi que estou presa nessa grande caixa que é meu coração, se o errado vem eu digo sim, se o certo vem eu digo não. O que o meu umbigo teme é a mesma coisa que o seu: Que seja apenas um arbusto, sem frutos, nem cor. O meu problema é que eu adoro o verde e fico fascinada quando o encontro em você e o amarelo do sol já não me cega mais, nem o vento frio corta a carne.
Eu sei que em algum lugar, em algum umbigo menos egoísta e medroso ou em algum canteiro mal cuidado, o nosso arbusto ou arvore cresceu e agora da sombra para quem sofre com o calor, como eu. Nosso arbusto de sonhos cresceu e se escondeu da gente.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

A máquina de homens

Todos nós evoluímos, perdemos a maioria de nossos pelos, alguns já não tem siso e o mais importante: aprendemos a pensar. Construímos prédios, criamos raízes, louvamos um Deus e nos matamos.
 Levantamos impérios e destruímos o natural, nossa comida que é tão farta e rica, nos mata lentamente com seus pesticidas e melhoramentos. O homem brinca de Deus e sinto que Deus brinca de ser homem. Nosso ar cada vez mais poluído, nossos rios são negros e nossas florestas vazias, será mesmo que aprendemos a pensar, ou apenas a matar?
  Tantos anos de evolução, tantos sacrifícios, olhem nossas máquinas! Rádios, televisões, internet, temos o mundo em nossas mãos e mal sabemos usá-lo. Aproximamos os mais afastados e isolamos os mais próximos, qual é a nossa lógica?  Avançamos a passos largos em tecnologia, mas nossos corações endureceram e nossas almas se tornaram nulas. Quantas pessoas nós vemos pregando a palavra de Jesus, quantas delas amam o próximo como a si mesmo? Fomos invadidos pela hipocrisia, mentiras, ciúmes e ganancias. Somos homens e lobos, corremos atrás do nosso próprio rabo. Batemos nosso cajado no chão, mas desviamos os olhos de nossas atitudes, coloque na mão de Deus, esqueça suas atitudes.
 Falamos mais do que fazemos, destruímos mais do que qualquer coisa. O ódio, a cobiça e a ganância nos dominaram, entrando em nosso DNA e passando essa maldição para nossos filhos. Falhamos muito, mas poucos tentam reparar isso, nos tornamos cegos que tateiam navalhas, nos cortamos e não sentimos, somos uma morfina ambulante. Somos todos reis e rainhas de fantasias, somos a mente que sonha, a mão que derruba, a árvore da vida. Somos tudo e não somos nada, somos na verdade completas máquinas.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Conto do Vigário.

 Era uma espécie de furacão de sentimentos, um misto sinistro de mentira e ganância, percebo aos poucos que me tornei adulta. Não digo isso pelas contas a pagar, a fila a esperar, ou as responsabilidades, digo isso por que só quando crescemos é que descobrimos do que o ser humano é capaz de fazer: Enganar. Amamos coisas e usamos pessoas, escolhemos nossas roupas, gastamos nosso tempo e juntamos dinheiro, para que no final das contas todos terminem da mesma maneira, mortos.
A verdade é que a mesma mão que te abençoa é a que te derruba, e a vida vai te oferecer as mesmas coisas que você oferece a ela. Seja um ilusionista e viverá conforme suas idéias, uma vida iludida que mais cedo ou mais tarde vai te tombar e podar seus ramos negros e amaldiçoados. 
 Não adianta fingirmos ser o que não somos, é como aquela velha história do vidro que se passa pelo diamante: Pode imitar a beleza, mas jamais terá o valor e a rigidez que ele possuí, se cair quebra e não existe mais. É exatamente assim que algumas pessoas são, comuns pensando que são raras e caras. O seu valor não está nas suas palavras, nem no seu trabalho, está em você, por que você é aquilo que você faz.  
Plantamos o que colhemos e o seu fruto é amargo e seco, assim como seu caráter. Foram tantos jogos, quantos você já massacrou? E dessas batalhas, quanto de você te restou? Se foi pouco ou nada mais, eu já não sei, mas sinto pena e nojo do Vigário que eu encontrei.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Eu tentei. Tentei de todas as formas mostrar que sou outra pessoa, com outros pensamentos e sorrisos. Tentei me reescrever e consegui. Me tornei personagens e me encontrei neles: Mocinhas, vilãs, desprotegidas, perigosas. Eu tentei, tentei te avisar dos perigos que eu trazia comigo e do silêncio que acompanha minhas vírgulas. Eu tentei te avisar de tudo, porém esqueci da minha inconstância e do meu orgulho, meu bem. E eu te avisei tanto, querido, que suas palavras não te salvariam do grande purgatório que é meu coração.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Contratempo.

Quando o seu tempo for o meu, querido.
 E o meu relógio entrar em você
 Então nossos ponteiros irão se encontrar
 E quem sabe os primeiros cinco segundos de surpresa
 Voltem para o seu rosto.

 Não quero meus olhos perdidos na noite cinzenta
 Nem meu corpo nu sozinho em uma cama quente
 Abraços e afetos são distribuídos enquanto nos vemos.
 Depois restos, nada mais.

 O resto do seu dia e de suas horas livres
 O resto das pernas e braços caídos pelo caminho
 O inicio de dentes se escondendo e as ameaças vivendo
 O fim do que veio carregado pelo vento.

 É o inicio, o meio e o fim do tempo
 O tempo dos olhos apaixonados e das mãos grudadas
 O tempo da cama fria à sua espera
 O tempo agoniando de ter que esperar algo que nunca vai aparecer.