Fica mais, não vai embora tão depressa, deixa tua camisa amarrotada no pé da cama e deita mais um pouco comigo. Até faço o café que você tanto gosta, espera só mais cinco minutos. Vem conversar comigo na janela, com sua xícara quente na mão e outra envolvendo minha cintura, me diz que o dia nasceu bonito e o sol nunca esteve tão forte. Espera a chuva passar, ela ainda nem começou.
Deixa eu sentar no teu colo mais uma vez e te entregar as meias para você ir embora, teu sapato ficou perdido em algum canto do meu quarto, procura por ele mais cinco minutos só para eu te admirar mais um pouco. Pega o celular e finge que me manda uma mensagem, fica só mais cinco minutos pensando em mim e ponderando se vale a pena tantos minutos assim.
Vai embora se quiser ir, a porta nem sempre estará aberta e o relógio tampouco vai parar também. Coleta todos os últimos cinco minutos e guarda no bolso da calça e quando você menos esperar vai lembrar do que se passou.
Os últimos cinco minutos não me serviram de muita coisa, não deu tempo de dizer que por você eu teria toda a paciência do mundo e que ficaria irritada se você esquecesse de mim, que por mais desorientada que eu seja eu sempre focava nos seus olhos que gritam o seu devaneio. Vai-te embora agora por que embora a saudade exista, eu sei que tempos melhores virão. E sempre, eu disse sempre existe tempo para quem quer ficar.
sábado, 13 de abril de 2013
terça-feira, 5 de março de 2013
Lembrar ainda é não esquecer.
Essa minha vontade de nada
Apenas deitar e ver seus olhos rolando
Passando pela embriaguez e sobriedade
De um amor que a sua dureza não me deixa contemplar
Eu cruzo as pernas mais uma vez e abro meus braços para você
Eu lembrei dessa vontade insana de te ter aqui, pertinho de mim
E percebi que lembrar mesmo que por pouco
Ainda é não esquecer
Acabo te mantendo guardado neste meu coração louco
Eu fujo, fujo rápido das palavras cortantes e da sua língua navalhada
Fujo pois teu coração ainda que maior, é mais duro e opaco que o meu
Fujo para lembrar como eram os dias antes de você
E percebo que lembrar mesmo que por uma vez
Ainda é não esquecer.
A porta agora se encontra fechada, presenteada pelo seu cadeado
Do lado de fora ainda resta você, com a mesma cara de tédio enjoado.
Todas essas imagens, figuras e personagens me fazem perceber
Que lembrar, mesmo que seja quase nada ainda é não esquecer.
As voltas que teu coração dá, sempre entre o sim e o não
Me fazem bater a cabeça e me nocauteiam no chão
Lembrar do que poderia ter sido e não foi, não é esquecer
É magoa contida, aflição mal-vinda de quem vem sem querer me ter.
Apenas deitar e ver seus olhos rolando
Passando pela embriaguez e sobriedade
De um amor que a sua dureza não me deixa contemplar
Eu cruzo as pernas mais uma vez e abro meus braços para você
Eu lembrei dessa vontade insana de te ter aqui, pertinho de mim
E percebi que lembrar mesmo que por pouco
Ainda é não esquecer
Acabo te mantendo guardado neste meu coração louco
Eu fujo, fujo rápido das palavras cortantes e da sua língua navalhada
Fujo pois teu coração ainda que maior, é mais duro e opaco que o meu
Fujo para lembrar como eram os dias antes de você
E percebo que lembrar mesmo que por uma vez
Ainda é não esquecer.
A porta agora se encontra fechada, presenteada pelo seu cadeado
Do lado de fora ainda resta você, com a mesma cara de tédio enjoado.
Todas essas imagens, figuras e personagens me fazem perceber
Que lembrar, mesmo que seja quase nada ainda é não esquecer.
As voltas que teu coração dá, sempre entre o sim e o não
Me fazem bater a cabeça e me nocauteiam no chão
Lembrar do que poderia ter sido e não foi, não é esquecer
É magoa contida, aflição mal-vinda de quem vem sem querer me ter.
terça-feira, 19 de fevereiro de 2013
Entre pontes e tijolos.
Hoje de manhã passei em frente a uma construção, estavam
acabando uma casa pequena e simples dessas que uma família inteira mora e ainda
agradece pelo teto em suas cabeças. Tinham tijolos espalhados pelo chão, no
meio deles vi uma esperança que ninguém mais viu, vi uma promessa de vida
melhor, de novos sonhos e rotinas... Atravessei a minha ponte.
No meu percurso, eu podia ver muitas coisas através do
vidro: Pessoas indo trabalhar, poças d’agua sendo secas pelo sol que já nascia,
um novo dia, um novo olhar, novas pessoas dentro de velhas roupas, meu próprio reflexo.
Quando eu cheguei no meio do percurso vi
uma outra casa sendo demolida, metade dela já estava no asfalto já não existiam
tijolos, apenas entulho, quantas pessoas moraram ali? Quantas lembranças um
simples tijolo com cimento pode proporcionar? Pensei o dia todo nisso, o futuro
e o passado se mesclam de uma maneira que o presente deixa de existir e eu
agradeci em voz baixa por poder ter todos que amo a minha volta.
Eu já tive minha casa demolida, explodida com uma bomba, vi
seus pedaços indo pro ar e depois baqueando no chão, vi as janelas indo embora
com a porta trancada, o tapete de boas vindas já não existia mais, minha casa
se foi, mas minhas lembranças continuam vivas e coloridas. Eu perdi alguns
quadros antigos que eu amava com todas as minhas forças e foram embora sem eu
poder contempla-los por uma última vez, o telhado que nos protegia foi
arrancado com o vento e talvez proteja outra casa agora, preserve o assoalho de
uma família que precise mais que a minha.
Os muros foram os últimos a caírem, mas esses eu mesma fiz questão de
tirar, tijolo por tijolo, briga por briga, lembrança por lembrança. Recolhi
seus pedaços do chão e prometi a mim mesma que este muro que eu desfiz não ira
para minha nova casa, não irá tampar minha visão, nem mesmo impedir alguém de
entrar. Pois agora, eu não tenho uma nova casa. Eu tenho um novo caminho, uma nova ponte que
eu fiz com os tijolos que me privavam do mundo, eu tirei os olhos chorosos e
recoloquei o sorriso, colhi os últimos frutos da minha jabuticabeira velha e
doce, ignorei os problemas do passado, selei as brigas antigas, amadureci meu
futuro.
Não importa se é uma casa, uma ponte ou um avião que você
deseja, o novo sempre vai existir. Portas podem estar trancadas ou abertas,
assim como o seu coração. Limpa a poeira do móvel antigo, acrescente mais uma
foto na sua parede, coloca mais água no feijão que sozinho ninguém vive,
sorrisos não foram feitos para serem amarelos e nem os olhos escondidos em óculos
de sol. Entre pontes e tijolos eu fui ao chão e também ao céu, eu tive ombros e
mãos para me ajudar, assim como pés para me pisar, de nada adianta o futuro se
com tantos tijolos é o muro que você prefere. Diga sim e sinta pela primeira e
ultima vez sinto o vento do verão lhe alegrar o rosto.
terça-feira, 8 de janeiro de 2013
A margem de si mesma.
Guilhermina tinha medo, sempre tinha muito medo de se tornar a pessoa que a segurava na foto de quando era bebe. Guilhermina sempre cresceu á margem de si, vendo no espelho os mesmo traços de seus pais e escutando dos irmãos menores como ela era a mais parecida com eles. Até mesmo a ponta desgrenhada de seu cabelo era uma acusação do gene de sua mãe, tudo ao seu redor mostrava que ela era apenas uma cópia 20 anos mais nova de seus pais.
-Você é a sua mãe inteira.
-Mas a loucura, a loucura certamente é herança do pai!
-Veja até o modo de andar é igual!
Guilhermina já não sabia se a força da convivência a tornava
igual a seus parentes ou se tinha alguma parte do seu DNA que a mandava ser
igual aos seus progenitores. Tinha medo,
tinha muito medo de ficar presa a todos esses espelhos que refletiam como ela
iria ficar, sempre teve muito medo da língua afiada dos outros parentes
conjurando que toda a história ia se repetir.
Nadou contra a corrente, resolveu ser de espirito livre, esquecer quem a
rodeava e se fechou para o mundo, seu eterno medo de se tornar como seus pais
estava concretizando-se. Guilhermina
viveu com os índios, teve amantes de todas as cores e sabores, se apaixonou e
quebrou alguns corações. Guilhermina viveu muitas décadas em apenas duas e
agora entendia quando falavam de sua loucura, entendia quando seu pai ria de
seus sonhos impossíveis, quando sua mãe desdenhava da sua capacidade de se
virar sozinha.... Começou a entender tudo e a solidão que tanto aplacava aquela
família passou a ser amiga de seu peito.
Guilhermina era uma cópia exata de seus pais e por isso
todos esperavam as mesmas falhas, as
mesmas fraquejadas e ao mesmo tempo despejavam em suas costas a visão de uma
realidade melhor. Como era difícil interpretar o papel de uma contradição: Ora
xerox, Ora rascunho. Guilhermina não queria nada disso! Desejava do fundo das
suas entranhas ser ela mesma, um desenho mal feito e rabiscado de uma pessoa
única, diferente de tudo que ela já viu e não cópias exatas que passam de
geração em geração... A loucura, a gana, a inteligência, a arrogância, quantas
coisas não circulavam em seu sangue e chegavam na íris do seu olho, que por
algum acaso era igual a de seu pai.
Há certas coisas na vida que nunca podemos compreender, nem
se fossemos imortais poderíamos desvendar certos mistérios. O egocentrismo
humano sempre foi e sempre será um dos maiores egoísmo de família; Seja maduro,
você me lembra tanto quando eu era jovem; o seu pai também dizia isso; a beleza
de sua avó. O egocentrismo humano sempre
foi e sempre será um dos maiores erros
naturais que cometemos.
Há certas coisas na
vida que nem mesmo oito décadas trarão o conhecimento ou a sabedoria,
precisamos da dúvida dando facada nos nossos pulmões, necessitamos
descontroladamente, desesperadamente, exasperadamente achar a cura para todos
os males. Nós nunca acharemos.
Guilhermina percebeu, com muita dor no coração, que não
adiantava mudar o sorriso, os planos futuros, ou o olhar: Sempre estaria à
margem de si mesma. Podia pintar os
cabelos de amarelo, verde ou roxo, ser uma rebelde, queimar dinheiro em praça
pública ou sair pela rua que ainda iriam dizer “tinha que ser filha de quem é”.
Guilhermina compreendeu com um certo penar que ela era a expectativa da vida
fracassada de seus pais, que o futuro dela na verdade pertenceria a eles e que
sua vida nunca fora sua verdadeiramente. Resolveu por um único minuto ser ela
mesma, escreveu uma bela carta pedindo desculpas por não ser um futuro
brilhante, por lembrar uma juventude imatura, por nunca ter sido ela mesma.
Implorou aos pais para não depositarem tanta emoção nos irmãos, deixarem os
menores serem como quiserem. Por fim, superou seu último medo: O de altura.
Arremessou-se do vigésimo quinto andar, sentiu pela última vez o frio na
barriga, sentiu o medo e o desejo de continuar caindo para sempre, sentiu pela
última vez a sensação de ser feliz. Guilhermina preferiu morrer a encarnar um
papel que não lhe cabia, Guilhermina decidiu ceifar a própria vida a viver a
margem de si mesma. Guilhermina agora vive nos olhos lamacentos de seus pais e
suas cinzas voam o mundo todo. Teve em sua morte tudo que quis ter em vida e
teve em sua vida sua toda e completa morte.
quinta-feira, 20 de dezembro de 2012
Navalha na carne.
Eu vou sussurrar em seus ouvidos e você escutará apenas a força dos seus desejos. Por hora, eu vou te consumir e te fazer implorar por línguas afiadas que rasgarão sua pele, somente agora esse espelho irá refletir toda angustia dentro do seu peito. Eu vou esperar a noite cair para ver seus olhos fechados se abrirem em minha presença, eu vou contemplar suas pernas e marcar seus batimentos cardíacos só para afirmar que a minha pele te nocauteia.
Eu serei a cura para todas as suas enfermidades, o remédio para a suas feridas... Eu irei te curar e te adoecer novamente. Eu vou te mostrar os meus dentes e o medo terrível que ocupa a minha boca, e a tua saliva pura e inocente passará a ser vil e vermelha, como sangue em tuas veias. Eu vou te derrubar no chão e sentir o impacto do seu corpo na madeira, e verei a sua agonia em silêncio por ter se rendido mais uma vez a mim.
Eu ocuparei o lugar de destaque em sua vida, arrancando-lhe as roupas, descabelando-te por inteiro, te vendo derramar gotas grossas de prazer e tristeza. Eu serei o desmanche da sua cama, o motivo da falta completa de consciência, serei a ressaca maldita que te faz acordar.
Por fim, eu serei a tua navalha na carne, o ponto forte da sua loucura, o medo da altura e a redenção aos pecados. Derramarei em ti todas as injurias do mundo, te dando olhos de prostituta e coração de aço: sem paixão, sem amor, sem movimento que te mantenha vivo. Te farei máquina morta de pensamentos e individualidade. Te deixarei nu e gozarei de todas as suas verdades, pois eu sou pele morta em navalha, eu sou carne crua que te fere e maltrata, sou o espelho maldito que reflete suas impurezas, que te cospe como um ladrão, que te mente as suas certezas e que te engana como brisa leve de verão.
sábado, 8 de dezembro de 2012
O grito do silêncio.
Encontro-me em uma banheira imersa pela água, sem nada que cubra as minhas verdades. Os meus cabelos pingavam, os olhos injetados pelo vinho barato que acabara de tomar, a fumaça pairava no ar. Como aquele silêncio me fazia bem, demorei longos minutos para perceber que a vitrola tinha parado de tocar, demorei longos meses para abrir a minha boca novamente. Eu relembrei a nossa história, as palavras destorcidas cortadas pela minha língua afiada, as mãos entrelaçadas em público não devendo nada a ninguém, o maldito silêncio que ainda me atormenta.
Quantos foram os sorrisos que eu já não calei, só pra você não perceber o obvio? Apenas minha garganta sabe o peso dos discursos que eu teimo em guardar em mim. Juras de amor, pedidos de perdão, o desejo de você ficar mais cinco minutos... O silêncio em te ver dormindo. Se ao menos você ouvisse o que eu não digo, se ao menos você lesse o seu nome nessas linhas tortas, se ao menos eu soubesse o motivo da sua cala... Se é indiferente ou falta de conhecimento, se é reciproco ou mero passatempo, se é paixão ou um pobre devaneio.
Acontece que aconteceu, eu fui obrigada a sair da inércia, obrigada a secar meus cabelos e a derrubar o vinho em minha camisa branca. A mancha vermelha ficou e a minha angustia também. Eu precisei me cobrir com a toalha, reanimar a vitrola, apagar o cigarro para ver que atrás de tanta fumaça, de tanto silêncio forçado, existia apenas um desejo.... Você.
Quantos foram os sorrisos que eu já não calei, só pra você não perceber o obvio? Apenas minha garganta sabe o peso dos discursos que eu teimo em guardar em mim. Juras de amor, pedidos de perdão, o desejo de você ficar mais cinco minutos... O silêncio em te ver dormindo. Se ao menos você ouvisse o que eu não digo, se ao menos você lesse o seu nome nessas linhas tortas, se ao menos eu soubesse o motivo da sua cala... Se é indiferente ou falta de conhecimento, se é reciproco ou mero passatempo, se é paixão ou um pobre devaneio.
Acontece que aconteceu, eu fui obrigada a sair da inércia, obrigada a secar meus cabelos e a derrubar o vinho em minha camisa branca. A mancha vermelha ficou e a minha angustia também. Eu precisei me cobrir com a toalha, reanimar a vitrola, apagar o cigarro para ver que atrás de tanta fumaça, de tanto silêncio forçado, existia apenas um desejo.... Você.
terça-feira, 13 de novembro de 2012
A dama e a lotação.
Era uma vez em um passado não muito distante a história de amor de dois estranhos que se encontraram na lotação da lataria. A chuva caia de maneira descomunal, a cidade quase alagando, os cabelos desarrumados pelo vento, o guarda-chuva meio quebrado pendurado no pulso dela, nada sugeria que em um fim de tempo o coração ia bater mais forte. Alguns pontos a frente do que ela entrou, subiu um rapaz, distinto, misterioso, olhou-a de maneira intensa e tímida e sem dizer uma palavra os dois jovens foram seguindo viagem. O desconhecido esbarrou na dama sem querer, pediu desculpas e abriu um sorriso, ela contemplou aquele momento como se fosse o primeiro da vida deles, mas não teve coragem o suficiente para perguntar-lhe o nome. A chuva continuava caindo e o ônibus sempre correndo, em uma freada brusca, ela quase caiu e quando olhou pra cima, viu o amor da sua vida. A partir daí vocês já sabem o que aconteceu, assim como toda história começa com "era uma vez" termina com um belo "final feliz", não é preciso contar mais nada......
Só que a história não terminou com um final feliz, o "era uma vez" martelou apenas uma vez na minha cabeça, até o sujeito abrir a boca e soltar uma voz completamente sem expressão e mostrar um sorriso horroroso. Eu ri da situação. Ri quando ele desviou o olhar quando eu olhei pra ele e ri mais ainda por fantasiar com um desconhecido, ri da minha má sorte, ri da minha infelicidade, ri dessa situação constrangedora que só se passou na minha cabeça. Quando passei pela curva em alta velocidade, eu parei de gargalhar internamente e percebi o que de fato estava acontecendo: Não era o dente separado ou a voz sem força, não era o olhar desviado, nem a falta de cavalheirismo, era você. Você era o motivo das fantasias com desconhecidos, da vontade de querer ocupar a minha cabeça com outra pessoa, qualquer um era mais acessível que você. O "era um vez" martelou uma única vez para nunca mais, não importava se eu tinha uma pessoa aos meus pés aturando minhas mudanças de humor, ou outra completamente satisfeita em me ter por perto, nenhum desses seres seria você. O motivo do meu silêncio, da minha vontade de permanecer sozinha, a origem e o fim de todos os meu pensamentos, era você. Se ao menos soubesse, se ao menos eu tivesse timbre suficiente para falar ou sussurrar que você é a razão de tanta cólera.... Mas eu não tenho essa coragem, enquanto isso eu deixo o "felizes para sempre" nos contos de fadas e continuo com a esperança de não ter que escrever o ponto final.
Só que a história não terminou com um final feliz, o "era uma vez" martelou apenas uma vez na minha cabeça, até o sujeito abrir a boca e soltar uma voz completamente sem expressão e mostrar um sorriso horroroso. Eu ri da situação. Ri quando ele desviou o olhar quando eu olhei pra ele e ri mais ainda por fantasiar com um desconhecido, ri da minha má sorte, ri da minha infelicidade, ri dessa situação constrangedora que só se passou na minha cabeça. Quando passei pela curva em alta velocidade, eu parei de gargalhar internamente e percebi o que de fato estava acontecendo: Não era o dente separado ou a voz sem força, não era o olhar desviado, nem a falta de cavalheirismo, era você. Você era o motivo das fantasias com desconhecidos, da vontade de querer ocupar a minha cabeça com outra pessoa, qualquer um era mais acessível que você. O "era um vez" martelou uma única vez para nunca mais, não importava se eu tinha uma pessoa aos meus pés aturando minhas mudanças de humor, ou outra completamente satisfeita em me ter por perto, nenhum desses seres seria você. O motivo do meu silêncio, da minha vontade de permanecer sozinha, a origem e o fim de todos os meu pensamentos, era você. Se ao menos soubesse, se ao menos eu tivesse timbre suficiente para falar ou sussurrar que você é a razão de tanta cólera.... Mas eu não tenho essa coragem, enquanto isso eu deixo o "felizes para sempre" nos contos de fadas e continuo com a esperança de não ter que escrever o ponto final.
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