Sou um produto livre
Livre de impostos
Longe da sua posse
Longe da sua ganancia
Arrogância!
Com mercadoria usada
Validade ultrapassada
Embalagem violada
Importação e exportação
Sua conduta
Sempre tão suja
Sujeira de proprietário!
Sou um produto livre
Livre de impostos
Longe da sua posse
Longe da sua ganancia!
sábado, 2 de julho de 2011
quinta-feira, 30 de junho de 2011
Vês
Viva-te, pois só desta maneira poderás conhecer a vida, caminha-te com teus próprios pés para mostrares ao mundo as milhas que caminhaste descalço. Sorria-te quando o mundo virar-lhe as costas e te crucificar, pois tua coroa de espinhos és tua e de todo um mundo. Quando a ventania derrubar-te e levar-te as suas raízes, erga-te e abençoa-te com tuas lágrimas, pois és água corrida, lavada em tua alma. Agradeças todos os dias pelos espinhos plantados e pela mágoa velada para que nunca esqueças tuas origens.
Vês, meu eterno cupido, as estrelas do céu não perdem o brilho mesmo sabendo que desaparecerão pela manhã. Vês, meu anjo dilacerado, como tuas asas ainda brilham aos olhos meus, como teu sorriso me inebria. Erga-te teus olhos e contemple um novo mundo...Ergue os olhos, meu bem, ergue os olhos!
Vês, meu eterno cupido, as estrelas do céu não perdem o brilho mesmo sabendo que desaparecerão pela manhã. Vês, meu anjo dilacerado, como tuas asas ainda brilham aos olhos meus, como teu sorriso me inebria. Erga-te teus olhos e contemple um novo mundo...Ergue os olhos, meu bem, ergue os olhos!
sexta-feira, 24 de junho de 2011
Próximo.
Era o tipo de beleza que te fazia pedir perdão pelos pecados cometidos, bastava um fio de cabelo para prender a eternidade, bastava um olhar e tudo estava acabado. O amor. A vida. O destino. Eram apenas navalhas que cortavam o ar, eram corpos nus completamente cobertos pela hipocrisia do ser e do sentir. E o que seria o amor senão uma grande ilusão de óptica, que te massacra e te remenda até você não ter mais fôlego para respirar. Então, somos forçados a engolir uma realidade que não existe criando expectativas em cima de mentiras, doces mentiras. O penar de um pensamento indeciso é o reflexo de uma busca sem fim por paixão, prazer e dor.
O ciclo biológico nos mostra como a vida se renova e desta maneira fazemos novos caminhos, menos ousados e mais bandidos, deixando cicatrizes, lava e cinza por onde passamos. O que seriam meus passos senão marcas em areia seca que se desmancham com um novo vento, o que seria minha boca seca senão o desejo de se unir a lábios ressecados, o que seria da cura sem o câncer. O que seria do amor sem sua desilusão.
O ciclo biológico nos mostra como a vida se renova e desta maneira fazemos novos caminhos, menos ousados e mais bandidos, deixando cicatrizes, lava e cinza por onde passamos. O que seriam meus passos senão marcas em areia seca que se desmancham com um novo vento, o que seria minha boca seca senão o desejo de se unir a lábios ressecados, o que seria da cura sem o câncer. O que seria do amor sem sua desilusão.
quarta-feira, 22 de junho de 2011
Dúvida.
Encontro teus olhos perdidos nos passos vazios de outros pares, os calçados usados passam despercebidos até se cruzarem. As mãos frias e ásperas voltam a se tocar e as bocas fechadas abrem-se novamente em sinal de redenção, misericórdia para anos de silêncio. Os dedos que massageiam a pele percebem como o corpo amadureceu, a coluna ereta pronta para se defender se desmancha em prazer fazendo relembrar as estrelas, quantas estrelas.
O sangue vivo pulsando nas veias é o sinal de que não existe dor, nem lágrimas para serem choradas. Não existe vitória para ser comemorada ou derrota para se desistir, há apenas o presente e o estado físico que está a nossa frente. Cara a cara com a dúvida, meus olhos displicentes percebem que existe apenas um caminho nas sombras para ser revelado, revelação que apenas o futuro incerto de nossos passos amedrontados pode nos mostrar.
O sangue vivo pulsando nas veias é o sinal de que não existe dor, nem lágrimas para serem choradas. Não existe vitória para ser comemorada ou derrota para se desistir, há apenas o presente e o estado físico que está a nossa frente. Cara a cara com a dúvida, meus olhos displicentes percebem que existe apenas um caminho nas sombras para ser revelado, revelação que apenas o futuro incerto de nossos passos amedrontados pode nos mostrar.
sábado, 28 de maio de 2011
Carta de despedida.
Ainda vejo sua mão acenando para mim como quem diz "Vai ser feliz", ainda lembro da mescla de orgulho e saudade que seus olhos transpareciam. Você esperou que o nosso grande separador fosse embora, ficou contemplando sua imagem magnética e pensando como o tempo passa rápido, não foi ontem que você me segurou no colo? Ah, o tempo! Cruel e misericordioso, como um pai que ensina ao filho os bons costumes, agora ele nos ensina a dor da separação mesmo que seja temporária. Quantas perdas nós tivemos, é triste lembrar que muitos já não estão aqui para acenar como você acena para mim. Mas as vitórias, essas foram grandiosas, por que sempre conseguimos nos levantar depois de uma rasteira da vida e foram muitas. Nos apoiamos, como se fossemos dois braços de um único corpo, choramos como se fossemos apenas uma tristeza e agora nos despedimos com a certeza da saudade e a insegurança do amanhã.
Teu ombro que já conteve meu choro agora chora sozinho, não por não possuir mais ninguém, mas por não ter mais meu corpo físico, a minha alma estará sempre contigo. Agora estamos vendo paisagens diferente, em locais distantes. Vê mãe como a vida é bela daqui também, a felicidade reina e a beleza do aprender é plena. Além de ti, deixo os meus tesouros, os amores da minha vida, meus filhos peludos. Se a palavra do homem vale um escrito, eu grito: Volto maior do que já sou, com um amor maior do que já tenho, com saudades eternas do meu tempo.
Teu ombro que já conteve meu choro agora chora sozinho, não por não possuir mais ninguém, mas por não ter mais meu corpo físico, a minha alma estará sempre contigo. Agora estamos vendo paisagens diferente, em locais distantes. Vê mãe como a vida é bela daqui também, a felicidade reina e a beleza do aprender é plena. Além de ti, deixo os meus tesouros, os amores da minha vida, meus filhos peludos. Se a palavra do homem vale um escrito, eu grito: Volto maior do que já sou, com um amor maior do que já tenho, com saudades eternas do meu tempo.
domingo, 22 de maio de 2011
Tempo-retrato
Já não podia mais te contemplar, sua pele e seus pelos me olhavam, imploravam para um toque. Já não bastava te contemplar, era necessário adorar, tocar, beijar e unir a pessoa a um só corpo. Não queria te contemplar, pois sempre que via seus olhos grudados a mim eu lembrava que estava preso a outra. Não sei se procurava sinais apenas me observando, por mais que nossos olhares se prendessem como se fossem condenados, não mostrava o calor que sinto da sua pele.
Então, eu vejo você me contemplando, me olhando como eu te olho, me desejando com o meu desejo. Percebo que ambos nos contemplamos como quadros pregados na parede em frente. Uma obra de arte pintada em cores vivas e lúcidas. Um tempo-retrato mostrando o que fomos em vida.
Então, eu vejo você me contemplando, me olhando como eu te olho, me desejando com o meu desejo. Percebo que ambos nos contemplamos como quadros pregados na parede em frente. Uma obra de arte pintada em cores vivas e lúcidas. Um tempo-retrato mostrando o que fomos em vida.
quarta-feira, 18 de maio de 2011
Uma casa muito engraçada.

A casa velha e abandonada fazia eco em meus ouvidos, cada vez que escutava falar de suas paredes mal pintadas e de seu piso solto sentia que uma faca atravessava meu peito. Nunca esqueci daquela casa e nem da escada que vivia nela,tão antiga e empoeirada com seus degraus defeituosos e traiçoeiros. Nos dias de hoje quando me pego embaçada e triste lembro sempre da escada frágil que unia os andares, marcada por altos e baixos dos degraus e alguns buracos pelo tempo, a escada sempre permanecia de pé. Como eu sinto falta da minha escada.
Ainda consigo ver a paisagem da janela, sempre interrompida por uma cortina de água, lágrimas que teimavam em cair de meus olhos. Como eu sinto falta do meu jardim mal cuidado. Mesmo antiga a moradia era forte, como madeira e pedra fez de barrancos sua fortaleza. Como eu sinto falta do meu abrigo.
O telhado já sem telha deixava a chuva banhar e lavar a sujeira que existia nela, inundando seus quadros e moveis, afogando seus moradores. Era uma casa velha sem tintura e bastante turva, uma velha casa de olhos e lembranças. Lembranças que não me esquecem. Como eu sinto falta daquela casa...
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